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6 passos para um planejamento de obra com Lean Construction

No Grupo Aval, além de nossa atuação como provedores de soluções com foco em gestão de obras, desenvolvemos o Lean Construction Agile Framework. Trata-se de um método formado por 6 etapas com foco em desenvolver planos para produção de obras de alta efetividade e dentro dos conceitos do Lean Construction.

Neste post, iremos detalhar o método que já foi usado em mais de 4 milhões de m² construídos gerando resultados expressivos, como:

  • redução de 60% no tempo gasto com a elaboração do projeto;
  • aumento de 10% na velocidade de produção das obras;
  • 2x mais aderência entre o que é planejado e realizado nas obras.

Basicamente, o Lean Construction Agile Framework tem 6 passos, que eu começo a explicar agora.

1. Kickoff de projeto

O primeiro passo do nosso framework é o kickoff de projeto, ou seja, a reunião para dar início ao planejamento de obra. Essa etapa é muito importante porque nela são coletadas e alinhadas informações-chave que irão nortear todo o processo de planejamento, garantindo que o plano tenha aderência aos objetivos de escopo, custo, qualidade e prazo do projeto.

Algumas das informações coletadas no kickoff de projeto são:

  • premissas;
  • restrições;
  • metodologia construtiva;
  • equipamentos;
  • materiais a serem adotados;
  • prazos;

Além das decisões relacionadas ao escopo da obra, também é essencial planejar os aspectos gerenciais do empreendimento, como o sistema de gestão. Nesse sentido, o sistema que recomendamos aqui na Aval, alinhado aos conceitos do Lean Construction e com ótimos resultados, é o Last Planner System.

Por meio de uma estrutura de planejamento de obra hierarquizada em 3 níveis, essa ferramenta permite traçar planos de longo, médio e curto prazo. Cada etapa tem seus próprios indicadores ideais de desempenho, e tem ligação com as demais fases do plano.

Mas aqui vai um alerta importante:

Muitas pessoas tentam usar a linha de balanço para acompanhar o planejamento de curto prazo, mas isso foge da característica da ferramenta e pode causar confusão. Existem outras ferramentas para acompanhar o curto prazo, apesar de a linha de balanço ser muito útil nos planos de médio e longo prazo da obra.

2. Plano de ataque

De forma resumida, o plano de ataque envolve a definição do lote de produção, a unidade básica de produção e controle durante a gestão da obra. 

Nesta etapa, existem alguns pontos de atenção:

Em primeiro lugar, busque sempre um lote que viabilize o controle. Se você diminuir demais a unidade básica do lote de produção, o custo/esforço de controle do lote se torna tão caro a ponto de ser inviável. Por outro lado, quando há equilíbrio na escolha, as rotinas de levantamento de indicadores, medições e reprogramações na obra ficam viáveis de serem executadas dentro de um intervalo de tempo compatível com as necessidades de sua obra.

Além disso, existe uma ligação direta entre o tamanho do lote de produção e a maturidade necessária em um PCP (Planejamento e Controle da Produção). Quanto menor o lote, maior é a necessidade de maturidade em PCP, então se você estiver começando agora o ideal é aumentar o lote de produção. Afinal, não podemos quebrar etapas de maturidade em planejamento de obras.

O terceiro cuidado necessário é alinhar o orçamento e o planejamento com os lotes de produção. Assim, o melhor dos mundos é fazer o orçamento já dentro dos lotes que foram definidos para o projeto em questão.

E, por fim, lembre-se que o lote pode mudar conforme o cliente da informação. Então, é importante entender quem será o cliente da informação e se preparar para adaptações e mudanças no lote.

A ferramenta que nós usamos para o plano de ataque é chamada de EHZT, a Estrutura Hierárquica de Zonas de Trabalho. Ela funciona como um organograma que contém a hierarquia das zonas de trabalho dentro da obra.

Mais uma vez, vale o alerta:

Conforme você desce de nível na ferramenta, maior é o nível de complexidade e a necessidade de maturidade no planejamento de obra e na gestão do projeto.

 EHZT, Estrutura Hierárquica de Zonas de Trabalho

3. Lean EAP

Na Lean EAP nós vamos começar a definir as macro etapas e as células de produção que serão plotadas na linha de balanço. A EAP (Estrutura Analítica de Projetos) é uma ferramenta com as principais entregas e atividades que compõem o projeto.

A Lean EAP junta os lotes de produção com os pacotes de trabalho necessários para a produção de cada lote. Além disso, também são definidas as macro etapas que são agrupamentos macro de várias células de produção, a fim de possibilitar uma visão mais ampla do status de sua obra durante a etapa de controle da produção. 

Tudo isso fica visível de acordo com a formatação da estrutura hierárquica do planejamento. Assim, você vê em níveis de hierarquia no Lean EAP o que, mais tarde, você verá de forma gráfica na linha de balanço.

Dentro desse fluxo, é muito importante atentar para os critérios de agrupamento das atividades em células de produção. Para isso, há 3 princípios que podem ajudar muito:

  • Princípio do agrupamento: seguir os conceitos do Lean envolve ignorar algumas fronteiras convencionais e trabalhar com equipes multidisciplinares para reduzir o setup e aumentar a produtividade;
  • Princípio da geração contínua de valor: reduzir o número de clientes internos e a quantidade de processos permite alocar o tempo no que agrega valor ao produto final, não a processos que causam desperdício;
  • Princípio da simplificação: agrupar atividades em pacotes de trabalho na linha de balanço torna mais fácil usar a ferramenta para controle estratégico e tático, não operacional. Tentar enxergar cada atividade de forma individual na linha de balanço torna a ferramenta extremamente complexa.

4. Definição do diagrama de precedência

Olhando para as células de produção do Lean Construction Agile Framework é que você vai criar o seu diagrama de precedência, ou seja, definir a sequência em que as atividades serão realizadas dentro de cada local da Lean EAP.

Esse diagrama precisa obedecer o método construtivo, definir qual será a ligação entre as atividades e definir o sentido do fluxo das atividades. Exemplo: em uma torre iremos executar uma determinada atividade iniciando do primeiro ao último pavimento ou com o sentido inverso? 

A partir desse diagrama, que é feito em cada local da obra, a sequência de atividades fica muito clara e facilita o controle da obra.

5. Predeterminação dos tempos de ciclo

Nesta etapa é importante saber quanto tempo cada atividade da obra vai levar e definir o ritmo da obra. Isso envolve cuidado com alguns pontos:

  • os 4 pontos que vimos até agora precisam estar em dia, bem resolvidos;
  • é importante conhecer bem os índices de produtividade das atividades que compõem as células de produção;
  • fazer um levantamento assertivo dos quantitativos das atividades que compõem as células de produção, segundo a estrutura do Lean EAP.

Com relação ao conhecimento e aferição dos índices de produtividade, mesmo que você ainda não tenha índices seguros, é importante começar. Para isso, você pode fazer benchmarking e consultar tabelas de referência, para depois coletar dados das obras e aumentar a precisão das aferições.

6. Ensaio da linha de balanço

Agora é a hora de ligar tudo o que vimos nos 5 pontos anteriores em um ensaio da linha de balanço, a fim de validar as hipóteses levantadas dentro da ferramenta da linha de balanço.

Você também pode simular a Curva S da obra para ver se em algum momento há alguma sobrecarga de produção e, caso positivo, revisitar a formação dos pacotes ou o diagrama de precedência.

A partir desse ensaio e interações, você conseguirá ter uma linha bem balanceada, fluxo contínuo, pouco estoque, produção puxada, com melhor custo e prazo nas obras. Você pode fazer esse ensaio da linha de balanço, além de executar todos os passos do Lean Construction Agile Framework de forma fácil, rápida e gratuita.

Para baixar o Agilean Starter, nosso planejador de obras gratuito, basta acessar este link, preencher o formulário e fazer o download da ferramenta!

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